A sul-mato-grossense Letícia Fialho de Jesus, de 29 anos, que vive na Europa, escolheu ter um furão como animal de estimação. O bicho, batizado de Cacau, tem ganhado visualizações nas redes sociais pela fofura. Além disso, a tutora do animal recebe muitas perguntas sobre a possibilidade de ter um animal como esse. Antes de ter um furão, Letícia precisou entender que se trata de um animal que exige responsabilidade, inclusive legal. Apesar do tamanho pequeno e da aparência dócil, os cuidados são intensos e a criação é regulamentada. Ou seja, não dá para simplesmente adotar um furão sem origem legal. No Brasil, o furão só pode ser criado com origem comprovada, nota fiscal, microchip e documentação autorizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Espécies silvestres brasileiras, inclusive, não podem ser mantidas como animais domésticos. Além da burocracia, o animal exige veterinário especializado, alimentação específica e um ambiente adaptado para evitar acidentes. Na Europa, onde Letícia mora hoje, o processo é mais simples, mas também tem regras. O furão precisa de microchip, vacina em dia, passaporte pet e acompanhamento veterinário. Em países como Portugal, Espanha, França e Alemanha, ele é permitido como animal de companhia, desde que esteja registrado. Sem documentação, pode gerar multa, apreensão e até quarentena. Sobre o Cacau - Pequeno no tamanho, teimoso na personalidade e dono absoluto da rotina da casa, é Cacau quem manda na casa. O furão de um ano conquistou milhares de visualizações nos vídeos da rotina que Letícia posta. Ele transforma situações comuns em cenas de caos e fofura. Letícia vive há quatro anos na Europa e o furão, Cacau, completou um ano em janeiro. Ele está com o casal desde os quatro meses de idade. O nome foi escolhido pela sonoridade simples, inspirado na fruta. “Gostamos de nomes curtos e que fossem gostosos de ouvir”, conta. Apesar da aparência “fofa demais para causar problema”, Cacau exige atenção constante. Furões são curiosos, ativos e inteligentes e ele leva isso a sério. Segundo Letícia, o animal gosta de decidir as próprias brincadeiras, escolhe quando quer interação e simplesmente perde o interesse quando algo deixa de ser divertido. “Muita gente pergunta por que paramos de gravar alguns vídeos. E normalmente é porque o Cacau decidiu que não queria mais brincar daquilo”, explica. Antes mesmo de chegar à casa, o furão já tinha presença digital. As redes sociais foram criadas meses antes da adoção e já reuniam seguidores aguardando a chegada. A primeira postagem anunciava: “Finalmente, o Cacau chegou”. Hoje, os vídeos da rotina acumulam comentários de pessoas encantadas com as “artes” do animal. Mas Letícia costuma responder sem romantizar. “Acho que o que mais me perguntam é como ter um furão. E eu sempre tento mostrar a realidade nua e crua. Não é fácil ter pet. Nenhum deles é.” Com Letícia, o furão é mais carinhoso e companheiro. Ela conta que ele costuma segui-la pela casa quando é chamado. Já com o marido, a relação é mais “caótica”, com brincadeiras agitadas, mordidas, perseguições e pulos na cama. “Quando não estão no fight, estão se amando”, brinca. A rotina do animal também influencia a casa. Como furões são crepusculares, Cacau concentra energia no começo da manhã e no início da noite. Dormir até mais tarde deixou de fazer parte do dia a dia do casal. “Por volta das 6h ou 7h da manhã, ele começa a chamar na porta e só para quando deixamos entrar”, conta Letícia. Depois do café da manhã e das brincadeiras, o furão passa boa parte do dia dormindo, entre 16 e 18 horas. À noite, o casal precisa até acordá-lo para gastar energia. Caso contrário, ele troca o dia pela madrugada. Criar Cacau solto, sem gaiola, fez o casal mudar a rotina dentro de casa. Antes de sair, tudo precisa ser checado: gavetas fechadas, cadeiras afastadas, janelas trancadas e objetos fora do alcance. Dá trabalho. Muito. Mas, segundo Letícia, vale a pena. “Ele nos tira do mundo do trabalho e traz a gente de volta para o momento. É como um pacotinho diário de amor e resgate.” Outro ponto que ela corrige: furão não é roedor. “Eles são carnívoros”. A alimentação inclui ração, ovos, carnes e peixes.