A Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) deixará Dourados na próxima sexta-feira (17), por decisão do Ministério da Saúde, mesmo com o avanço da chikungunya e sete mortes confirmadas na cidade. A informação consta em ofício enviado ao MPF (Ministério Público Federal) por membro do Conselho Municipal de Saúde, que aponta a retirada das equipes em meio à epidemia. O tema será discutido nesta quarta-feira (15) em reunião do COE (Centro de Operações de Emergências), que ainda não recebeu comunicação oficial sobre a medida. No documento obtido pelo Campo Grande News , o conselheiro Carlos Alberto Vittorati afirma que a decisão surpreendeu o colegiado. “Fomos surpreendidos com a notícia, referenciada, em caráter oficial, de que a equipe da Força Nacional do SUS deverá ser recolhida da cidade de Dourados na próxima sexta-feira”, escreveu. Ele destaca que o município enfrenta “surto muito expressivo de chikungunya” e que parte das áreas mais afetadas está nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó. Vittorati lembra que a força-tarefa foi enviada após decreto de emergência em saúde e tem atuado no atendimento direto à população indígena. No ofício, ele classifica o trabalho como essencial e alerta para o risco de desassistência. “Não há como aceitar que os acometidos pela chikungunya sejam relegados à própria sorte”, afirmou. Em outro trecho, ele diz que, se a retirada se confirmar, “muitos irão morrer de forma indigna, porque estarão desassistidos”. O conselheiro também chama atenção para a previsão de agravamento do cenário. Segundo ele, durante reunião do Conselho de Saúde no dia 8, o coordenador da Força Nacional em Dourados afirmou que o pico de contaminação ainda não ocorreu e deve começar a partir de 15 de maio. Ou seja, a saída das equipes ocorre antes do período considerado mais crítico. A decisão contraria o que foi anunciado no último dia 3, durante visita de autoridades federais ao município. Na ocasião, foi informado que a Força Nacional permaneceria em Dourados até o fim da epidemia nas aldeias indígenas. A mudança gerou reação entre conselheiros e deve ser questionada formalmente ao MPF. Atualmente, cerca de 50 profissionais do SUS integram a força-tarefa, além dos servidores do município. As equipes atuam em ações como busca ativa de casos, atendimento domiciliar nas aldeias e suporte à rede hospitalar. Sem esse reforço, a assistência tende a ficar concentrada nos serviços locais, que já enfrentam aumento expressivo na demanda. O ofício encaminhado ao Ministério Público Federal pede intervenção do procurador Marco Antônio Delfino para tentar reverter a retirada das equipes. O documento destaca que a saúde indígena é de responsabilidade da União e alerta para limitações operacionais das estruturas federais que atuam na região. Dados mais recentes mostram que Dourados vive uma epidemia da doença, com mais de 5 mil notificações, 1,7 mil casos confirmados e dezenas de pacientes internados. A maior parte dos diagnósticos segue concentrada nas aldeias indígenas, onde também ocorreram todas as mortes confirmadas até agora. O outro lado - Procurada, a assessoria da Força Nacional do SUS não respondeu até à publicação desta reportagem. A prefeitura informou que o assunto será tratado na reunião do COE, mas não confirmou se houve comunicação oficial por parte do Ministério da Saúde.