GPS ‘teletransporta’ usuários ao se aproximarem dos muros do Kremlin
Falhas em sistemas de localização por satélite alimentam boatos e teorias
A anomalia foi detectada pela primeira vez na metade deste ano com o aplicativo ‘Pokémon Go’: os usuários do jogo, que utilizam GPS para se localizar e encontrar monstrinhos, começaram a reclamar que o sinal era instável nessa área.
Paralelamente, motoristas e usuários de apps de táxi também passaram a relatar falhas nos sistema de localização por satélite. Segundo ele, ao passar pelo Kremlin, seus navegadores subitamente os transportavam para os aeroportos de Vnúkovo ou Domodêdovo, ambos situados nos arredores da capital russa.
O escritório do Uber na Rússia disse estar ciente das falhas, mas a empresa assegurou à Gazeta Russa que “não são em larga escala”.
Drones extraviados
Por exemplo, os sistemas de navegação por satélite têm se comportado de forma inesperada também no vilarejo de Usovo – nos arredores da capital –, não muito longe da residência do presidente russo Vladímir Pútin.
Para entender o que poderia estar acontecendo, Grigóri Bakunov, diretor de distribuição de tecnologia do Yandex, o principal motor de busca da Rússia, encheu sua mochila com vários dispositivos, entrou em seu carro e começou a girar em torno da “zona de instabilidade” dos sistemas.
“O interessante é que o sinal paralelo transporta o usuários ao centro do aeroporto Vnúkovo. Podíamos lançar várias teorias da conspiração a respeito do porquê o navegador transporta as pessoas justamente para lá. Eu, pessoalmente, acredito que tenha a ver com a proteção contra filmagem por drones e coisas do gênero.”
“Não está claro, porém, por que alguém iria querer combater drones por meio de falhas no GPS em vez de solicitar que tais zonas sejam adicionadas à lista de exclusão aérea, mas, é claro, isso não tem nada a ver conosco”, acrescenta Bakunov.
A teoria antidrone corrobora a tese de que o Serviço Federal de Proteção (FSO, responsável pela proteção dos dirigentes russos, incluindo do presidente) teria adotado uma tática para dificultar o acesso ao Kremlin.
O FSO, no entanto, nega qualquer relação com as falhas.
A associação de desenvolvedores, fabricantes e consumidores de aplicativos e equipamentos Glonass garante que o problema também não está com os operadores. “Mas tudo é possível, incluindo falhas de software, campos geomagnéticos e ruído branco”, divulgou, em um comunicado, a entidade.
“Talvez, haja, de fato, aparelhos de interferência instalados lá [no Kremlin]”, afirma um representante do Glonass. “Eles bloqueiam a informação verdadeira e a substituem. Mas, se fosse uma medida contra drones potencialmente perigosos, que podem ter uma bomba anexada a eles, por que o redirecionamento está sendo feito para outra instalação estratégica, um aeroporto? Qual é o fundamento? Por que não para algum lugar no meio do campo, por que para o Vnúkovo?”, questiona.