Guerra no Oriente Médio pode ter acabado com o circuito Elizabeth Arden do jornalismo da Globo
A Globo mantém jornalistas bem-informados nos países política e economicamente mais relevantes da Europa — Inglaterra, França, Alemanha e Itália. O mesmo ocorre nos Estados Unidos. O time é de primeira linha.
Quando se trata de cobrir questões europeias e americanas do norte, os repórteres se dão muito bem, atendendo as expectativas dos telespectadores. As informações são precisas e, por vezes, amplas.
As coisas se complicam quando os repórteres “europeus” e “americanos do norte” são compelidos a narrar fatos que ocorreram ou estão ocorrendo a centenas (e até milhares) de quilômetros de suas bases.
Por uma questão de segurança, possivelmente, a Globo — principal rede de televisão do Brasil — optou por não enviar alguns de seus melhores repórteres para o Irã e para Israel.
A TV da família Marinho decidiu manter o que jornalistas chamam, de maneira irônica, de o “circuito Elizabeth Arden”. Traduzindo: a emissora estava cobrindo os fatos do Oriente Médio a partir de Paris, Londres, Nova York, Roma e Washington. Tudo muito asséptico e protegido.
Será que alguns dos jornalistas se ofereceram para cobrir as batalhas diretamente do Oriente Médio? Se isto ocorreu, e é provável que tenha ocorrido, ninguém de fora da Globo ficou sabendo.
Eventualmente, uma jornalista aparece de Tel Aviv falando sobre os acontecimentos. Mas não parece muito animada a percorrer as ruas e entrevistar populares israelenses. No Irã, salvo engano, não há viv’alma da Globo.
Mas, de repente, uma surpresa positiva. Os veteranos Caco Barcellos, de 76 anos, e Carlos de Lannoy, de 56 anos, aparecem na Globo narrando acontecimentos diretamente das ruas do Irã e de Israel. Enfim, sinal de vida e, também, coragem.
Caco Barcellos e Carlos de Lannoy mostraram as dificuldades dos iranianos e dos israelenses. Os dois povos têm medo, é claro, e apoiam seus regimes.
Pode ser que exista uma resistência ao regime dos aiatolás, mas Caco Barcellos mostrou que também há apoio, possivelmente devido à questão religiosa. Em Israel, por mais que haja alguma resistência ao governo, há forte coesão política entre os indivíduos.
Carlos de Lannoy conta que ouviu o alarme, numa área atingida por mísseis iranianos, sobre perigo. Ele corria e pensava: “Tem abrigo? Proteção?”
É perigoso cobrir guerras? Claro que sim. Mas jornalistas de vários países, notadamente dos Estados Unidos e da Europa — além de profissionais do Oriente Médio —, estão lá, em seus postos, com o objetivo de noticiar os fatos de perto. São eles que enviam notícias que acabam saindo em jornais e emissoras de televisão de todo o mundo.
O post Guerra no Oriente Médio pode ter acabado com o circuito Elizabeth Arden do jornalismo da Globo apareceu primeiro em Jornal Opção.