Quase um mês após a queda de parte da ponte sobre o Rio do Peixe, em Rio Negro, moradores afirmam que a situação na região continua crítica. Neste sábado (14), o construtor civil Vanderson Douglas, de 39 anos, enviou vídeos ao canal Direto das Ruas mostrando veículos atolados nos desvios improvisados que passaram a ser usados após a interdição da estrutura. A ponte desabou no dia 22 de fevereiro, quando uma carreta bi-trem atravessava o local. Semanas antes, a estrutura já havia sido afetada pelas fortes chuvas que atingiram a região e chegou a ficar submersa com a cheia do rio. A Defesa Civil havia alertado para rachaduras nas cabeceiras e restringido a passagem de veículos pesados. Nesta sexta-feira (13), o governo federal reconheceu situação de emergência no município após os estragos causados pelas chuvas intensas que atingiram Rio Negro e cidades vizinhas no início de fevereiro. A medida foi oficializada por portaria da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, vinculada ao MIDR (Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional), permitindo que o município solicite recursos federais para reconstrução e assistência à população. Enquanto isso, segundo o morador, os desvios abertos para manter o tráfego estariam em condições precárias. “Já estamos há mais ou menos 30 dias nessa novela. Liberaram o acesso ao desvio, só que não tem manutenção de qualidade. Tem muito atoleiro e está atrapalhando quem precisa passar”, relatou. De acordo com ele, as rotas alternativas passam por dentro de fazendas da região e têm causado transtornos tanto para moradores quanto para produtores rurais. “Essas estradas são particulares. Os fazendeiros liberaram a passagem para ajudar a população, mas está prejudicando eles também. Tem gente que passa e deixa as porteiras abertas, o gado mistura de uma fazenda para outra”, afirmou. O construtor também critica a forma como os desvios estariam sendo mantidos. “Eles só passam a máquina e jogam o barro de lado. Não colocam cascalho, não colocam manilha. A estrada vai afundando cada vez mais”, disse. Outro ponto levantado pelo morador é a falta de sinalização adequada na região. “As sinalizações que colocaram não são compatíveis com o que a lei exige. Colocaram banners e a chuva arrancou tudo. Caminhão chega carregado e não sabe se pode passar ou se tem que voltar”, afirmou. Ele também cita impactos no comércio local, principalmente em estabelecimentos que dependiam do fluxo de veículos que cruzavam a cidade rumo ao Pantanal ou a municípios como São Gabriel do Oeste e Rio Verde de Mato Grosso. Segundo ele, havia a expectativa de instalação de uma ponte metálica provisória do Exército, mas a estrutura ainda não foi colocada. “O município falou que tinha conseguido uma ponte do Exército, que ia montar lá. Disseram que seria semana retrasada, depois semana passada, e até agora nada”, relatou. A reportagem procurou a Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) para comentar as reclamações sobre a manutenção dos desvios, sinalização e previsão de instalação de uma ponte provisória. O espaço segue aberto para manifestação do órgão.