Caldo de cana com maracujá e batido antes de servir, já viu isso? Essa foi a aposta de Edézio Braz de Oliveira, 61, e da esposa, Gisele Cristine Maymone de Oliveira, de 58, para entrar no ramo das garaparias há 6 anos. O negócio deu tão certo que hoje eles têm três kombis rodando pela cidade e esperam uma 4ª ficar pronta. Tudo começou com um serviço antigo de Edézio e um sonho que se realizou depois da aposentadoria. A história começa cedo. Aos 15 anos, Edézio foi trabalhar no Mercadão Municipal, onde aprendeu o básico do ofício com um italiano. Por lá, ficou cerca de dois anos observando de perto a rotina da garapa. “A máquina era linda, maior que eu”, lembra. Depois, ele seguiu outro caminho e virou servidor público, estudou e acumulou quatro décadas no serviço. Mas, quando faltavam 5 anos para a aposentadoria, a pergunta bateu: e depois? A resposta estava guardada desde a adolescência. Ele já tinha sido garapeiro, e ali seria a salvação dos dias, tanto para a mente quanto para o bolso. Com 54 para 55 anos, comprou uma Kombi e começou a restaurá-la por conta própria. Logo depois, veio a segunda, que seria usada apenas para retirar as peças, mas estava “melhor que a primeira”, então acabou entrando no jogo também. Edézio reformou, pintou e colocou as duas no negócio, que foi batizado com o sobrenome dele, “Braz”. Tudo parecia perfeito até que a virada de 2019 para 2020 alterou os planos. Com mudanças nas regras de aposentadoria, Edézio precisou ficar mais tempo no trabalho. Foi aí que ele decidiu acelerar a estrutura e iniciou um projeto com parcerias. Ele alugou as kombis de garapa para quem quisesse trabalhar com isso, e os lucros seriam divididos. “Como veio a previdência, pensei nisso para começar o trabalho. Minha esposa se aposentou primeiro, ela abriu a empresa e fizemos 3 parcerias. Agora estou na 4ª kombi, a última eu chamo de cabeçuda porque ela é uma cabeça de kombi e corpo de trailer, estou desenhando ela ainda”. Sabores Edézio resolveu que faria uma garapa diferente. Ao invés de moer a cana muitas vezes e colocar o limão direto na hora de moer, ele usa uma máquina que mói apenas uma vez. O limão é colocado depois. Além do sabor tradicional e de abacaxi, também tem alguns diferenciados, como maracujá e gengibre. “Eu estudei muito sobre sabores. Moer mais de uma vez não deixa a cana cremosa. Se é feito apenas uma vez, isso deixa. Além disso, a gente bate no liquidificador e tem dado certo”. Ele explica que, além dos sabores, o que o pessoal acaba levando em consideração é a higiene. Para ser parceiro da Braz, precisa seguir todo o manual criado por ele e a esposa. “A primeira coisa que o pessoal gostou muito foi por causa da higiene, uso ozônio nas canas para limpar elas, isso mata bactéria. A cana é de primeira e trabalhamos com luva, uso material específico para evitar qualquer problema sanitário”. Gisele era orientadora educacional, entrou no projeto junto com o marido e não esperava a resposta que teve. “Dá uma renda boa”, diz. Não é a única fonte de renda da família, mas virou um complemento relevante. Hoje ela coloca a mão na massa em feiras junto com Edézio.