Pescadores amadores que passavam pelo Rio Sucuriú, em Paraíso das Águas, no último domingo (1º), se assustaram com a quantidade de peixes mortos que boiavam nas águas. Foram vistos jaús, tucunarés, curimbas e outras espécies. Raphael Maia e a esposa praticavam pesca esportiva, permitida durante a piracema, quando testemunharam a situação. "Foi no trecho entre o porto e a Ponte de Pedra. Pelo que consegui contar, eram 34 peixes mortos”, ele relata. Comerciante de artigos de pesca há 16 anos na região, Washington Costa afirma que a situação ocorre há, pelo menos, três anos. "Anda recorrente depois das chuvas, como aconteceu agora. Não sabemos o que pode estar gerando essa mortandade", diz. Cliente da loja, o pescador Edson Herdina, falou sobre o assunto com Washington e outros participantes de um grupo no WhatsApp sobre pesca esportiva. "Estava fedendo à tardinha. Está 'descendo' muito peixe, é muito piau morto. É toda hora você vendo aquele 'branco' no rio", falou em um áudio. Havia espécies mortas boiando e presas em galhos ao longo de 10 quilômetros de rio, segundo outras mensagens trocadas. "Não dá para entender. E não é uma dúzia ou 100 peixes. A gente não conseguia contar o tanto de peixe catingando", contou Enivan de Almeida Ferreira à reportagem. Ele é mecânico e pescador esportivo. O homem também afirma que fez a primeira denúncia sobre a situação, há três anos, e entregou vídeos comprovando o que viu. "Antes de iniciar a piracema de agora, eu estive no rio e presenciei a situação de novo. Muitos peixes fedendo por estarem boiando há três, quatro dias", finaliza Enivan. Suspeita - Na segunda-feira (2), a PMA (Polícia Militar Ambiental) vistoriou o rio e as proximidades, incluindo fazendas e a PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Fundãozinho, que começou a gerar energia em 2025 e é operada pela Atiaia Renováveis, sediada em Recife (PE). Segundo nota enviada pela PMA nesta quarta-feira (4), não foram encontrados peixes mortos nas águas nem presos às grades da hidrelétrica no momento da fiscalização. O uso de agrotóxicos irregulares também não foi identificado nas propriedades rurais próximas. A corporação informou que suspeita de decoada, um fenômeno que provoca a redução de oxigênio nas águas devido ao acúmulo de material orgânico durante as cheias, resultando na morte de peixes por asfixia. "Análises preliminares indicam que a mortandade pode ter sido causada por um fenômeno natural conhecido como decoada. Imagens registradas no dia da denúncia mostraram um grande acúmulo de resíduos orgânicos e vegetação seca na calha do rio, trazidos pelas fortes chuvas e cheias. Esse material orgânico, ao entrar em decomposição, reduz drasticamente o oxigênio da água, o que pode levar à morte de peixes de forma moderada — fato que também foi registrado na região no mesmo período em 2025", diz trecho da nota. A PMA disse ainda que mantém o monitoramento contínuo do rio e comunicou o caso ao Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) para que seja feita a coleta e a análise técnica da qualidade da água.