A professora e pesquisadora da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), Letícia Couto Garcia, foi uma das vencedoras do 2º Prêmio Mulheres e Ciência, promovido pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Ela foi a selecionada na área de Ciências da Vida da categoria "Estímulo". A cerimônia de premiação será realizada em 5 de março deste ano, em Brasília (DF). Letícia foi a única contemplada em Mato Grosso do Sul. As demais mulheres são do Espírito Santo, Bahia, Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Pará e Piauí. Nesta edição, o prêmio recebeu 684 inscrições e premia outras três categorias: "Incentivo", "Trajetória" e "Mérito Institucional". A pesquisadora fundou e coordena o Laboratório Ecologia da Intervenção, do Instituto de Biociências da UFMS, há sete anos. A unidade faz parte da pós-graduação em Biologia Vegetal e atua nas áreas de restauração, intervenção e conservação dos biomas Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. “Fiquei surpresa e muito feliz, pois é muito importante receber um prêmio nacional concorrendo com mulheres do País todo de várias áreas, ainda mais que é um reconhecimento do CNPq. Sinto que é muito gratificante ter essa oportunidade de representar tantas mulheres que são nossas parceiras de pesquisas e receber um prêmio desses, para mim, que sou professora, também pode servir para incentivar a futura geração de mulheres na ciência que estamos formando”, ela declarou. A categoria "Estímulo" homenageia e incentiva a continuidade do trabalho de pesquisadoras que concluíram o doutorado a partir de 2010. A vencedora graduou-se em Ciências Biológicas pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) em 2005, fez mestrado em Ecologia na mesma instituição e terminou o doutorado em Biologia Vegetal na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) em 2015. Fez, ainda, pós-doutorado no Centro de Referência em Informação Ambiental, também em Campinas (SP). Internacional - A notícia da premiação do CNPq veio após a mesma professora receber uma honraria internacional concedida pela CoR (sigla para Cultures of Resistance), entidade internacional fundada pela diretora de cinema brasileira Iara Lee. O reconhecimento chegou por conta de uma iniciativa que envolve pesquisadores da UFMS, o povo indígena Kadiwéu, de Mato Grosso do Sul, e árvores pau-santo (da espécie Bulnesia sarmientoi ). Letícia comandou uma expedição para plantar cerca de 400 mudas da árvore rara, considerada sagrada pelos povos originários, na Terra Indígena que pertence à etnia e fica no município de Miranda. Os exemplares foram cultivados durante cerca de 40 anos no Laboratório Ecologia da Intervenção. Em 2021, ela também havia sido contemplada pelo Prêmio Mulheres na Ciência, concedido pela L’Oréal, pela Academia Brasileira de Ciências e pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).