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Após anos de descaso, bairro mais antigo de cidade vira "museu abandonado"

Entre suas ruas diagonais, casas antigas e asfalto já gasto, o centenário bairro Amambaí, o mais antigo de Campo Grande, guarda memórias de antigos moradores e prédios históricos que hoje convivem com um cenário de abandono e insegurança, marcado pelo aumento de furtos na região. Em uma caminhada pelo bairro, a equipe do Campo Grande News  notou, essa semana, que vários pontos turísticos da cidade estão localizados ali, como a Praça das Araras, o coreto e o monumento Cabeça de Boi, na Praça Cuiabá, o Horto Florestal, a Praça do Monumento aos Desbravadores, a Praça Newton Cavalcanti e o portal japonês da Rua dos Barbosas.  Entretanto, muitos estão sem conservação, conforme já mostrado em reportagens anteriores. Na Praça Cuiabá, a situação é mais crítica. O antigo coreto apresenta partes quebradas, como janelas e corrimão de concreto, além de chão sujo. Já a quadra de esportes da praça foi encontrada com a grade destruída, pintura desgastada e sem cesta para a prática de basquete. O Horto Florestal foi encontrado com os portões fechados, já que está interditado desde março do ano passado. Pelas grades, é possível ver que algumas estruturas estão desgastadas, com telhas quebradas e mato alto ao redor. Ao lado, na Avenida Correa da Costa, a Praça do Monumento aos Desbravadores também foi encontrada com mato alto. Na manhã de terça-feira, apenas pessoas em situação de rua ocupavam o local. O cenário de abandono se repete em algumas residências históricas e de arquitetura antiga. As pequenas casas de alvenaria, com portas e janelas de madeira e fachadas antigas, já mostram como o tempo e o descaso são implacáveis: telhas e janelas quebradas, paredes descascadas com risco de ruir e, muitas delas, desabitadas. Entre os que ainda vivem em uma dessas casas está o morador Marco Antônio Costa, de 48 anos, que reside há 26 anos no mesmo imóvel, na Rua Tônico de Carvalho. A casa é uma das que ainda conservam a fachada. Ele conta que veio de Corumbá e morava com a mãe, que faleceu em 2023. “Tá só eu e Deus agora”, comenta. De acordo com Marco Antônio, o bairro era tranquilo antigamente e os espaços culturais e esportivos eram mais frequentados pela população. “Eram muito visitados, mas agora é abandono. Principalmente aquele Horto Florestal, que dizem que está em reforma, mas nunca termina.” Ele também aponta que o principal problema do Amambaí é a onda de furtos. Conforme mostra o mapa da insegurança feito pela reportagem, o bairro foi o segundo da cidade com maior número de furtos no ano passado, com 240 registros, atrás apenas do Centro. Não dá para descuidar. Eu saio para trabalhar já preocupado com a casa, porque são várias invasões, muitas vezes a gente até perde as contas”, comenta. Segundo ele, só no ano passado foram dois furtos em sua residência. “Levaram meus pertences, ferramentas e até a TV”, complementa Marco Antônio. Ele acredita que os furtos aumentaram desde a desativação do Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu, em janeiro de 2010, e também com o aumento de dependentes químicos nas ruas. “O que eles acham pela frente vão pegando para manter o vício”, comenta. A situação também foi relatada pela moradora Neide Ferreira Loureiro, de 73 anos, que vive no bairro há 40 anos. Ela menciona que o bairro era mais movimentado e que hoje muitas casas desabitadas acabam sendo alvos de furtos ou locais de consumo de drogas. “Era bem mais movimentado. Eu costumava ir brincar, passear e levar as crianças para brincar e, de repente, abandonaram e ficou desse jeito”, comenta. Neide também afirma que, com a desativação da antiga rodoviária, o local passou a atrair mais pessoas em situação de rua e dependentes químicos. “Começaram a dormir ali ao redor e esse pessoal acaba vindo para cá também.” Entretanto, ela não relatou furtos recentes em sua residência. O morador Osmar Dias, de 54 anos, também confirma a situação de insegurança no bairro. Ele diz que mora há 34 anos no Amambaí e se declara “cansado” dos furtos ocorridos nos últimos meses, especialmente no período da noite. “Eu tinha um salão. Na primeira semana que abri roubaram R$ 1,9 mil e levaram fios. Passou mais um tempo, roubaram R$ 9 mil só em ferramentas", relembra.  A insegurança também atinge comerciantes, como João Carlos Pinheiro da Silva, de 51 anos, proprietário da Xandão Mercearia e Conveniência, na esquina das ruas Paissandú e Orfeu Baís. Ele está à frente do estabelecimento há três anos. “É história de família. Meu sobrinho já tocava aqui, o tio dele também. Depois passou para o meu sobrinho e acabei ficando para tomar conta".  Durante o período em que administra o comércio, ele afirma não ter sido vítima de furtos, mas considera a segurança uma prioridade. “Melhorou um pouco, mas ainda é difícil. No meu período aqui não ocorreu nenhum. Mas, na época do meu sobrinho, já entraram várias vezes".  João também aponta o abandono de casarões antigos, algo que a reportagem percebeu ao passar em frente a várias residências com placas de venda. “Tem muito casarão aqui, muita casa velha abandonada. Geralmente é questão de herança, de partilha. Fica para resolver e não resolvem. Aí acaba ficando abandonado". Outra queixa recorrente é o estado do asfalto. As ruas diagonais, com traçado diferente do restante da cidade, em formato conhecido como “pata de ganso”, projetado pelo arquiteto italiano Camilo Boni, apresentam buracos e remendos. Segundo moradores, os piores trechos estão nas ruas Paissandu, Terenos e dos Barbosas. “Aqui está abandonado, a região toda. Até a Avenida Bandeirantes, que teve o asfalto renovado há pouco tempo, já tem buracos”, afirma Neide. Apesar disso, o projeto urbanístico de Boni ainda é considerado eficiente para conter enchentes, conforme explica o arquiteto, urbanista e pesquisador Ângelo Arruda. “O bairro é inteligentíssimo do ponto de vista topográfico. Nunca teve enchente, nunca teve cheia, porque foi projetado corretamente. O arruamento acompanha as curvas de nível, e a água da chuva escoa naturalmente para o córrego".  Berço de memórias e cultura -  Apesar do cenário atual, o Amambaí carrega história, arte e memória. Foi o primeiro bairro oficial de Campo Grande, fundado em dezembro de 1921.O nome vem do tupi “Amambahy”, que significa “propriedade” ou “coisa cercada”.  O loteamento surgiu para abrigar militares responsáveis pela construção dos quartéis, além de operários da Companhia Construtora de Santos. Com o tempo, por ser próximo ao Centro, tornou-se bairro de trabalhadores. “A maioria das casas foi construída por trabalhadores. Eram pessoas que atuavam no comércio, em agências bancárias que estavam começando, vendedores de automóveis. Não havia espaço para morar no centro, então eles foram para o Amambaí”, explica Ângelo. Ele também relata que, nesse contexto, surgiu a implantação da Escola Estadual Maria Constança Barros Machado, projeto de Oscar Niemeyer, o único do arquiteto em Campo Grande. “Os filhos dessas famílias precisavam de escola. A professora Maria Constança, diretora do colégio na Rua São Francisco, pediu ao governador que construísse uma escola para atender esses trabalhadores. Como não havia terreno disponível, o Estado desapropriou a área onde hoje está a escola e implantou a unidade ali", explica o arquiteto.  Além da arquitetura, o bairro também é berço cultural. O grupo Acaba foi fundado ali, em 1971, como Associação dos Compositores Autônomos do Bairro Amambaí. O bairro também inspirou versos da música “Morena Que Vale a Pena”, do grupo Chalana de Prata: Nos quintais e nas mangueiras / Sobrevivem passarinhos / Mesmo hoje quando o asfalto já cobriu tantos caminhos”, diz trecho da música composta por Celito Espíndola e Paulo Simões. Atualmente, o Amambaí abriga espaços e escolas de arte como a Casa de Ensaio, a Sociedade Lírica Amambaí Filarmônica Villa-Lobos e a sede do Grupo Casa – Coletivo de Artistas. O aspecto comunitário e cultural do bairro também foi relembrado por moradores antigos do Amambaí. Dois deles estavam sentados na Xandão Mercearia, o “point” dos aposentados que vivem no bairro.  Um dos moradores é Divanir Marcondes, de 71 anos. Ele explica que mora em um bairro vizinho na região, mas tem memórias de quando a área ainda tinha pouca infraestrutura. “Aqui era tudo barro, você não tinha acesso, mas depois pavimentaram tudo". Também aponta que sente falta de locais comunitários e culturais da região, mas que hoje estão pouco utilizados e até mesmo fechados. “Temos a Praça das Araras, o Horto, que hoje está abandonado”, pontua Divanir. “É um bairro que tem muita história, mas hoje virou quase um museu abandonado". Outro morador antigo é o aposentado e ex-empresário Alexandre Weiss, de 67 anos, que mora há 46 anos no bairro Amambaí. Ao falar dos espaços públicos, Alexandre demonstra preocupação com o abandono. “O Horto Florestal está simplesmente abandonado pelo poder público. Era um local muito bom. Eu levava meus filhos para lanchar lá nos anos 80. Hoje está jogado”, lamenta. Alexandre também lembra da antiga rodoviária, hoje em processo de revitalização, que também era uma área de lazer e concentrava cinema e lojas. “Era ponto de encontro das famílias.” Cansado de ver idas e vindas na reforma do local, ele afirma que a reativação da área depende de uma decisão clara da administração. "Falta definir um projeto. Ou vai ser prédio público ou centro de compras. O poder público não consegue decidir. Coloca tapume, tira tapume. O que precisa é de um projeto específico para aquela área”, afirma Alexandre. Em andamento -  Conforme já noticiado, o Parque Florestal Antônio de Albuquerque, conhecido como Horto Florestal, segue fechado desde março de 2025 e está em processo de reorganização e revitalização.  As obras de reforma no espaço devem ser iniciadas no final de março de 2026, após a assinatura de um acordo com o Sistema Comércio MS, por meio do Sesc e do Senac, que assumirá a gestão e manutenção do parque pelos próximos 20 anos. A expectativa, segundo a prefeitura, é que o local seja reaberto ao público no segundo semestre de 2026, com intervenções estruturais que vão reorganizar áreas internas e externas do parque. Já a revitalização da antiga rodoviária de Campo Grande, cujas obras começaram em julho de 2022 e tiveram várias prorrogações, teve novo prazo de entrega definido para 30 de junho de 2026, após atraso causado pela necessidade de uma licitação separada para o sistema de ar-condicionado, parte essencial do projeto de reforma.  Segundo a prefeitura, os trabalhos seguem no local, e o projeto prevê transformar o espaço para abrigar órgãos públicos e salas comerciais. Em relação à segurança, em nota, a Sesdes (Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social) informou que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) intensificará as rondas na região do Bairro Amambaí “nos próximos dias” e ressaltou que a segurança pública de Campo Grande é realizada em conjunto com as forças de segurança do Governo do Estado e do Governo Federal. “O papel principal da Guarda Civil Metropolitana é a realização de rondas em prédios públicos, além de oferecer apoio às forças ostensivas, como a Polícia Militar”, disse o órgão em nota. A reportagem também entrou em contato com a Sejusp, Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, e aguarda retorno. O espaço segue aberto.

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