É comum ver pequenos negócios, chefs independentes, MEIs e quem vende comida em casa ampliando o cardápio na tentativa de agradar mais pessoas, vender mais ou reagir a uma queda no movimento. A lógica parece simples: mais opções, mais chances de venda. Na prática, o efeito costuma ser exatamente o contrário. Cardápios extensos geram mais desperdício, mais erros operacionais, mais confusão no processo produtivo e custos que não aparecem de imediato — mas corroem a margem silenciosamente. Quanto maior o cardápio, maior a complexidade. E complexidade custa caro. Raramente um cardápio cresce por estratégia. Na maioria das vezes, ele cresce por medo. Medo de perder cliente, medo de dizer “não”, medo de parecer limitado. O problema é que dizer “sim” para tudo exige um preço alto. Cada item adicional demanda compra, estoque, preparo, atenção e decisões constantes. No fim, quem paga essa conta é sempre o dono — seja em dinheiro, seja em tempo, seja em exaustão. Negócios pequenos não precisam de excesso. Precisam de foco. Quando o cardápio se torna grande demais, a equipe se confunde, a produção perde ritmo, a qualidade oscila e o gestor passa a gastar energia com decisões pequenas, quando deveria estar olhando para o todo. Isso não é falta de talento. É falta de prioridade. Um cardápio enxuto não representa pobreza de oferta. Representa clareza de identidade. Ao reduzir, sobra tempo, sobra energia e, principalmente, sobra margem. O cliente entende melhor o que aquele negócio faz bem — e passa a confiar nisso. Em muitos casos, crescer não é adicionar. É cortar. E cortar, quase sempre, é o movimento mais corajoso.