A autônoma Paola Bianca Ibarra de Freitas, de 30 anos, tentou melhorar a coisas para o filho, mas teve o direito negado na rede de saúde de Campo Grande, abrindo debate sobre a amamentação. Chamada mamanalgesia, ela pretendia usar a técnica de amamentar como forma de alívio da dor, durante a vacinação de seu filho, de três meses. Passou por duas unidades de saúde de Campo Grande, na manhã de ontem (13), mas não conseguiu. Segundo Paola, o primeiro atendimento foi na USF (Unidade de Saúde da Família) Mata do Jacinto Doutor Ademar Guedes de Souza, onde o bebê receberia a vacina meningocócica, que protege contra doenças graves como meningite e sepse. Ela afirma que chegou à unidade preparada para amamentar o filho durante a aplicação, prática que ajuda a reduzir a dor, o choro e o estresse do bebê. “Cheguei preparada para amamentar ele durante a vacina, porque esse é um direito meu”, relatou. No entanto, na sala de vacinação, a profissional pediu que o bebê fosse colocado deitado na maca. Ao dizer que pretendia amamentar durante o procedimento, Paola ouviu que a unidade não realizava esse tipo de prática. A mãe disse que questionou a negativa, citando que a técnica consta na Caderneta de Saúde da Criança e é recomendada pela OMS (Organização Mundial da Saúde e pelo Ministério da Saúde. Ainda assim, a amamentação não foi permitida. Diante da situação, ela procurou a gerência da unidade. Conforme Paola, o gerente desconhecia o termo “mamanalgesia” e pesquisou sobre o tema no momento do atendimento. Embora tenha confirmado que a prática existe e é recomendada, informou que não poderia obrigar a profissional de saúde a permitir a amamentação. “Fica a pergunta: como não pode obrigar, se é um direito garantido?”, questiona a mãe. Sem condições de pagar por uma vacina particular, Paola procurou outra unidade, dessa vez do Novo Bahia, onde relatou ter enfrentado a mesma situação. “Acabei vacinando meu filho sem poder amamentar. Foi um descaso. Tiraram um direito meu e do meu bebê”, disse. Para ela, muitas mães passam pelo mesmo constrangimento ao ver os filhos sofrerem em um momento que poderia ser mais acolhedor. Questionado pela reportagem, o presidente do Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), Leandro Dias, afirmou que o profissional de enfermagem não pode proibir a amamentação durante a vacinação. “Muito pelo contrário. O profissional deve incentivar essa prática, pois acalma o bebê. Trata-se de uma técnica de analgesia natural, recomendada para conforto e para minimizar a dor do procedimento”, explicou. Sobre o risco de engasgo, argumento frequentemente citado para a recusa, Leandro esclareceu que a situação está relacionada à técnica inadequada de amamentação, e não à aplicação da vacina. “Por isso é importante que o profissional estimule e oriente a amamentação durante o procedimento. A amamentação é um processo natural que o bebê consegue controlar”, destacou. Por meio de nota, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde Pública) informou que a mamanalgesia é uma prática recomendada desde 2015 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e pelo Ministério da Saúde, sendo reconhecida como uma estratégia eficaz para a redução da dor durante a administração de vacinas injetáveis em recém-nascidos, bebês e crianças. "No entanto, em situações específicas, visando à segurança da criança, é necessário garantir o posicionamento adequado na maca para que a dose seja aplicada corretamente na região indicada da perna. Essa medida tem como objetivo assegurar a aplicação segura do imunizante, prevenindo possíveis eventos adversos decorrentes de uma aplicação inadequada", justifica. Ainda conforme o texto, nesses casos, o vacinador poderá orientar a mãe a interromper brevemente a amamentação no momento da aplicação. Logo após a vacinação, a criança retorna ao colo materno, podendo retomar imediatamente a amamentação, que contribui para o conforto e para a analgesia no período pós-procedimento". Mamanalgesia Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a amamentação durante a aplicação de vacinas é altamente recomendada tanto para o bebê quanto para a mãe. A sucção reduz a dor do bebê, já que o leite materno contém endorfinas, que ajudam a aliviar a dor e aumentam a eficácia da vacina. Além disso, amamentar também acalma a mãe, diminuindo a ansiedade. A OMS e o Ministério da Saúde indicam que a amamentação durante a vacinação e após o procedimento proporciona maior conforto e relaxamento para a criança. "Amamentar durante a vacina é um direito da mãe e não oferece risco à saúde do bebê"m afiram nota técnica da Organização. A amamentação também é recomendada durante o Teste do Pezinho, que é realizado nos primeiros dias de vida. Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais .