Mesmo longe do mar, o sul-mato-grossense Charles Ghinozzi, de 54 anos, encontrou um jeito bem particular de viver a paixão pelo surf em Campo Grande. Sem praia por perto, ele troca as ondas pelo asfalto e “surfa” em cima de um skate no Parque dos Poderes, onde executa manobras que lembram o movimento dos surfistas no mar. Nas redes sociais, Charles se apresenta com bom humor como o “surfista do litoral central”. A relação de Charles com o skate vem de longe. Ele conta que subiu em um skate pela primeira vez ainda criança, aos 7 anos, época em que também acompanhava o surf pela televisão e revistas. Naquela época, ainda não conhecia o surf skate, modalidade que imita os movimentos do surf tradicional. “O surf skate imita o surf. Eu costumo falar que a gente surfa em onda dura”, brinca. Longe do mar, há 15 anos a modalidade virou a solução perfeita para surfar em Mato Grosso do Sul, já que as idas às praias costumam ser raras, geralmente uma ou duas vezes por ano. Além de matar a saudade do surf, o surf skate também ajuda no preparo físico. “É uma forma de treinar aqui e, quando você vai para a praia nas férias, dá para brincar um pouco nas ondas também”, explica. Mesmo com a rotina puxada de trabalho, Charles não abre mão do esporte. Durante a semana, ele treina em casa, usando simuladores e pranchas de equilíbrio. Nos fins de semana, o destino é o Parque dos Poderes. Lá, ele chega a percorrer cerca de 8 quilômetros em uma sessão de uma hora e meia, sempre aproveitando a paisagem e a vibe do local. Para ele, o surf skate virou mais que exercício físico. “É a minha terapia”, resume. Ao andar, Charles descreve uma sensação de total presença, um estado de “flow”, em que nada mais importa além do momento. Aos 54 anos, Charles desafia a ideia de que skate e surf são esportes só para jovens. Segundo ele, preconceito por causa da idade já existiu, mas hoje não incomoda. “Depois de tanta coisa que eu já vivi, comentário não me atinge mais”, diz. E pelo contrário, a presença dele inspira outras pessoas. Charles recebe mensagens de gente dizendo que voltou a ter coragem de tentar algo novo depois de acompanhar seus vídeos. “Incentivar as pessoas a fazerem algo que faz bem pra elas vale muito a pena”, afirma. Nas redes sociais, Charles compartilha os vídeos gravados no Parque dos Poderes e viu um crescimento inesperado de seguidores e mensagens de apoio. Para ele, o mais bonito é a conexão que o esporte cria. “Quando a gente está andando, não importa quem você é, no que você acredita ou em quem você vota. Só interessa o rolê, surfar no asfalto e curtir”, reflete. Para quem quer começar no surf skate, Charles deixa o recado. “Tem que ter disposição e coragem. Uma hora a gente cai, faz parte, mas o importante é sair de casa, subir no skate e se permitir viver. Quando eu ando, sinto a necessidade de viver”, finaliza. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .