Fechado há cerca de 20 anos, um casarão histórico que deveria ser protegido acumula sinais visíveis de abandono e deterioração no Centro de Campo Grande. Localizado no cruzamento das ruas Rui Barbosa e Barão do Rio Branco, o imóvel faz parte da lista de patrimônio cultural arquitetônico do Plano Diretor da cidade, justamente pelo valor histórico que carrega para a memória campo-grandense. O casarão de dois andares foi construído na década de 1950 pela família Neder, uma das pioneiras de Campo Grande, influente no empreendedorismo, medicina e na política da cidade ao longo do século XX. “Essa casa e a imediatamente vizinha pela Rua Barão do Rio Branco são da família Neder. Eles foram pioneiros no segmento de telecomunicações por aqui. O primeiro conjunto telefônico de Campo Grande foi montado por eles lá nos anos 50, antes da Telemat e antes das telefônicas públicas”, explica o arquiteto e urbanista Ângelo Arruda. Segundo ele, o reconhecimento do imóvel no Plano Diretor está diretamente ligado à trajetória da família. “Ela tem esse carimbo do Plano Diretor porque ela é memorial, exatamente pelo fato de ter a história de uma família que morou ali e que foi importante para a história de Campo Grande”, comenta. Em plena área central, o casarão de dois andares chama atenção pela imponência arquitetônica, mas também pelo aspecto de abandono. A pintura está completamente perdida, áreas extensas estão tomadas por mofo e infiltrações, e portas e janelas de madeira, que parecem ser originais, estão visivelmente danificadas. O local também acumula rachaduras por alguns pontos da estrutura e sinais de pichação. Um dos pontos mais críticos é o avanço de vegetação, que nasceu até no concreto. Longas raízes de árvores se espalharam por toda a extensão de um dos muros, provocando danos na estrutura ao redor. Parte do teto da varanda foi destruída, assim como a porta de uma das entradas da garagem e trechos do próprio muro. O imóvel é cercado por portões de grade e um muro baixo construído com pedras, material que resistiu melhor ao tempo e ainda está preservado tanto no muro quanto em colunas e em parte das paredes da entrada e das laterais inferiores da casa. Mesmo assim, os danos são evidentes. Conforme o Plano Diretor da cidade, o prédio é reconhecido como bem cultural por se enquadrar “dentro de um conjunto de valor histórico e/ou arquitetônico relevante para os movimentos nacionais de arquitetura em Campo Grande, sendo importante para a memória e identidade local, regional e nacional”. Apesar desse reconhecimento, há quase 10 anos a manutenção tem deixado a desejar. Em relatório feito em 2017, a Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) já havia classificado o estado de conservação da casa como ruim. “O sobrado moderno possui elementos como cobogó, pilares revestidos de pedra e portas de madeira. Se encontra abandonado no centro da cidade, apresentando esquadrias quebradas e pichações que demonstram invasão”, diz o documento. Passados quase dez anos desde essa avaliação, a situação se agravou e o casarão coleciona sinais do tempo e falta de manutenção. Vizinhos ouvidos pelo Lado B relataram que até 2006 uma família ainda morava no local, mas, desde então, o casarão permanece fechado. Apenas uma empresa de segurança monitora o imóvel. Informações a que o Campo Grande News teve acesso indicam que os proprietários moram no Rio de Janeiro. A reportagem tentou contato, mas ainda não obteve retorno. Família Neder - Conhecida por nomes como Rachid Neder, Humberto Neder, o pioneiro das telecomunicações, e o médico Alberto Neder.A família que construiu o casarão da Rua Rui Barbosa também estendeu a influência além de Campo Grande. Foram os Neder que contrataram o renomado arquiteto e urbanista Jorge Wilheim para projetar o plano piloto da cidade de Angélica, no início dos anos 1950, com a proposta de criar um ambiente planejado, diferente das vilas comuns naquela época. Pioneiros também em Angélica, eles foram um dos responsáveis pela criação e desenvolvimento da cidade. O Campo Grande News entrou em contato com a Prefeitura questionando se existe algum tipo de fiscalização sobre a preservação dos patrimônios arquitetônicos da cidade. Também perguntamos de que maneira a Prefeitura trabalha para que os espaços históricos não sejam comprometidos. Até a publicação desta reportagem não tivemos retorno. Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial , Facebook e Twitter . Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui) . Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News .