Corumbá aparece como o município de Mato Grosso do Sul com maior capacidade técnica disponível para receber novos projetos de geração de energia elétrica nos próximos anos. É o que mostra a nota técnica divulgada nesta sexta-feira (17) pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), que detalha os limites da rede elétrica brasileira para os Leilões de Reserva de Capacidade na forma de Potência a partir de 2026. Segundo o documento, a subestação Corumbá 2, em tensão de 230 kV, tem até 485 MW (megawatts) de capacidade remanescente para escoar energia nova sem necessidade imediata de reforços na rede de transmissão. Na prática, é o maior “espaço livre” identificado no Estado para conexão de usinas despacháveis, como termelétricas. O levantamento foi elaborado pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) e reúne dados oficiais sobre a chamada capacidade de escoamento do SIN (Sistema Interligado Nacional). O objetivo é indicar, de forma técnica, onde ainda cabe energia nova dentro da infraestrutura já existente. Enquanto Corumbá aparece com margem ampla, outros municípios sul-mato-grossenses surgem com limites bem mais modestos. Campo Grande, por exemplo, tem apenas 40 MW disponíveis no ponto de conexão da subestação Imbirussu, o mesmo volume indicado para Rio Brilhante e Ivinhema em análises diretas de barramento. São números considerados baixos para projetos de maior porte. Isso coloca Corumbá em posição estratégica. Projetos que exigem maior capacidade de conexão tendem a priorizar regiões onde a rede não está saturada, evitando custos adicionais com obras de reforço ou ampliação do sistema de transmissão. No entanto, não significa anúncio de novas usinas, nem garantia de investimentos imediatos. A nota técnica apenas aponta limites físicos da rede, condição básica para participação nos leilões federais de potência. A decisão final depende de interesse empresarial, viabilidade econômica, licenciamento ambiental e das regras específicas de cada certame.