Pelo segundo dia consecutivo, contribuintes enfrentaram longas filas em frente à Central de Atendimento ao Cidadão, na Rua Marechal Rondon, em Campo Grande. A fila se estendeu pelo estacionamento do prédio desde a madrugada desta terça-feira (6), com a maioria das pessoas tentando resolver problemas relacionados ao IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). Entre as principais reclamações estão o aumento do valor do imposto, a retirada de isenções, boletos emitidos sem identificação do contribuinte e dificuldades de atendimento pelos canais digitais da Prefeitura. O primeiro a chegar foi o vigilante Paulo César Marques, de 30 anos, que esteve no local às 3h30 acompanhado da mãe. Ele buscava informações sobre a isenção do IPTU, que a família já possuía, mas que não foi aplicada neste ano. “Falei que ia madrugar, senão ia tomar um chá de cadeira. Aproveitei que estou de férias e minha mãe é idosa, tem problema na perna e não pode ficar muito tempo em pé”, contou. Segundo ele, o imposto pode chegar a cerca de R$ 800 caso a isenção não seja mantida. “Aumenta o IPTU, mas a rua está cheia de buracos. Fica pesado, ainda mais depois de pagar IPVA de carro e moto”, reclamou. A administradora Luciana Lujan, de 50 anos, era a segunda da fila. Ela afirmou que o IPTU do imóvel da família subiu de cerca de R$ 800 no ano passado para R$ 1.028 em 2025. Segundo Luciana, o marido tentou atendimento na segunda-feira, mas desistiu diante do tamanho da fila. “A gente gasta muito com medicamentos, tenho diabetes e tomo remédios de depressão que não encontro no posto de saúde. Acabamos priorizando isso, mas o IPTU não pode atrasar”, explicou. A secretária Andreia Marta, de 49 anos, moradora de um apartamento no Bairro Tiradentes, disse que o aumento ocorreu após a Prefeitura classificar a cobertura do imóvel como laje, embora, segundo ela, o forro seja de madeira desde sempre. O imposto subiu de valores entre R$ 400 e R$ 500 para R$ 777. “Tentei resolver pelo WhatsApp e por telefone, mas ninguém atende. A gente é obrigada a vir pessoalmente”, afirmou. Ela chegou por volta das 7h10 e já encontrou a fila extensa. A Central abre às 8h. Moradora do Bairro Sayonara, a dona de casa Ramona Silva, de 67 anos, não reclama do valor do IPTU, que é de R$ 216, mas estranhou o boleto ter chegado sem o nome do contribuinte, apenas com o endereço. “No grupo do bairro todo mundo está reclamando. Vim conferir se está tudo certo”, afirmou. Moradora do Residencial Oiti, Dalva de Freitas, de 60 anos, contou que não recebeu o boleto em casa, situação que, segundo ela, se repete todos os anos. “Nunca chega nada. Sempre tenho que vir aqui. Com esse aumento, a gente fica com medo da ‘cacetada’”, comentou. Ela paga pouco mais de R$ 300, mas vizinhos relataram reajustes que chegaram a R$ 700. Dalva afirmou que acompanha a discussão na Câmara Municipal e espera uma solução. “A gente tem que confiar, mas também brigar. Se não argumentar, não resolve nada.” No Bairro Itamaracá, Maria Aparecida Farias, de 64 anos, relatou que perdeu a isenção após a construção de uma varanda coberta e aberta. “O construtor disse que não teria aumento, mas cobraram. Tirei foto de tudo para contestar”, disse. Segundo ela, o IPTU teve acréscimo de cerca de R$ 200. Diante da repercussão, sobre o aumento do IPTU, a Câmara Municipal realizou, ontem, uma reunião de urgência para discutir os questionamentos sobre a cobrança. O encontro interrompeu o recesso parlamentar e reuniu vereadores, o jurídico da Casa, comerciantes, advogados independentes e representantes do Executivo, entre eles o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais, Ulisses Rocha. Entre os principais pontos debatidos estão a possibilidade de suspensão da cobrança, a limitação de reajustes ao índice oficial de inflação, o IPCA (Índice de preços ao consumidor), de 5,32%, e a cobrança por mais transparência, previsibilidade e comunicação antecipada à população. Também foi alvo de críticas a instabilidade no site da Prefeitura, que ficou fora do ar nos últimos dias e dificultou o acesso aos boletos e às informações pelos contribuintes. Assista, abaixo, ao vídeo que mostra a fila.