Há um cansaço muito específico em ter que explicar o óbvio. Não é o mesmo desgaste de ensinar algo complexo, nem a paciência exigida para conduzir alguém por um aprendizado legítimo. Explicar o óbvio é diferente: é um exercício de repetição forçada daquilo que, em condições minimamente saudáveis, já deveria estar compreendido. E talvez seja justamente aí que mora o tédio — na sensação de estar parado enquanto o mundo finge que ainda não chegou ao ponto de partida. O óbvio não é aquilo que todo mundo sabe por natureza. Читать дальше...