Diogo Olivier: o Inter tem de vestir as sandálias da humildade em 2016
Nem o 4º lugar compensaria o ano ruim do Inter. De novo, só Gauchão. Levando-se em conta que o Botafogo disputou a Série B, que o Vasco já voltou para lá e que o Coritiba passou o ano se debatendo na areia movediça, o universo dos clubes de grandes torcidas e orçamentos muito adiante dos outros está reduzido a uma dezena. Talvez nem isso. Portanto, chegar à ultima rodada lutando por vaga na Libertadores é o mínimo do mínimo.
Se é para olhar só o resultado, está bom com Argel. O segundo turno dele, em números, é interessante. A vida inteira ouvi que é errado analisar só se ganha ou perde. E, sob este prisma, há um enorme caminho a percorrer. O Inter termina o ano sem jogar bem. Não exibe troca de passes com rapidez. Não triangula pelos lados. Se utiliza demais da bola longa, às vezes chutão dos zagueiros para o ataque, um dos expedientes mais velhos e indicativos de falta de repertório tático.
E se Vitinho não tivesse acertado chutaços como no primeiro gol diante do desinteressado Cruzeiro, não raro cercado de marcadores e ninguém por perto para tabelar? O Inter somou muitos pontos assim com Argel. O futebol do Inter não tem mecânica. Não tem um padrão, repetido jogo a jogo. Não inspira confiança.
Vitorio Piffero cravou Argel Fucks em 2016. Deve ter convicção de que o futebol aparecerá com reforços, pré-temporada e menos desfalques. É preciso dar esse grande e necessário desconto ao treinador. Por fim: se as vozes coloradas seguirem como após o jogo deste domingo, dizendo que está tudo às mil maravilhas, aí será muito mais difícil. O Inter tem de calçar as sandálias da humildade em 2016.