Entre desafios e renovação, festivais impulsionam retomada da cena em Goiânia
A cena independente de Goiânia vive um momento de transição, marcado por resistência, renovação e tentativa de reorganização do público, segundo produtores de três dos principais festivais da capital: Vaca Amarela, Bananada e Goiânia Noise. Em entrevistas ao Jornal Opção, os organizadores apontam desafios estruturais, mas também destacam sinais de retomada e fortalecimento do circuito alternativo.
Produtor do Festival Vaca Amarela, João Lucas avalia que a cidade mantém uma produção musical ativa, apesar das dificuldades. “A cena independente de Goiânia vive um momento de resistência e reinvenção.
Existe uma produção muito rica e diversa, mas que ainda enfrenta desafios de circulação e sustentabilidade”, afirmou. Segundo ele, o festival segue como espaço de articulação. “O Vaca Amarela se mantém como um espaço fundamental de visibilidade, conexão e fortalecimento da música autoral.”
A edição de 2026, que marca os 25 anos do evento, deve ter caráter simbólico. “A proposta deve manter a essência independente, com curadoria focada em diversidade sonora e na experiência coletiva”, disse.
Ele destacou ainda a importância da cena local. “O Vaca Amarela sempre teve como base a valorização da cena local e isso se intensificou recentemente”, afirmou, ao lembrar que, em 2025, o line-up foi formado apenas por artistas goianos.
Apesar da consolidação, João Lucas reconhece desafios na formação de público. “Existe um público fiel, mas ainda em processo de reorganização”, disse. Para ele, eventos independentes têm papel central nessa reconstrução. “Eventos como o Vaca Amarela ajudam justamente a manter essa continuidade.”
A perspectiva de retomada também aparece no Festival Bananada, que volta a ser realizado na cidade após anos de ausência. O produtor Fabrício Nobre afirma que o retorno marca uma nova fase. “A expectativa é a melhor possível. Vai ser muito especial materializar, no espaço físico, tudo que a gente construiu nos últimos anos no ambiente digital”, disse.
Segundo ele, a pausa foi motivada principalmente pela pandemia e por uma decisão estratégica. “Houve uma decisão consciente de só retomar quando fosse um momento mais seguro financeiramente para o projeto”, afirmou. Agora, a proposta é de continuidade. “A ideia é uma retomada definitiva. O plano é estruturar o Bananada para, pelo menos, mais 10 anos de atuação contínua”, continuou.
Fabrício também destacou mudanças no cenário musical. “As redes sociais passaram a ter um papel ainda mais central”, disse. Ele apontou ainda transformações locais. “A cena se renovou bastante, com mais festas de rua, blocos de carnaval e o crescimento do eletrofunk”, afirmou, sem deixar de mencionar a permanência de outros gêneros. “A força do rock alternativo e do indie segue fundamental.”
Já o Goiânia Noise Festival chega a uma edição com características inéditas, segundo o produtor Leonardo Razuk. “É a primeira vez na história, depois de 30 anos, que a gente consegue fazer um festival totalmente gratuito”, disse.
Para ele, o momento reflete mudanças mais amplas. “O cenário favorece. Existe um entendimento maior de que o evento gera emprego, gera renda e precisa ser apoiado”, continuou.
Razuk também aponta a retomada de festivais como parte de um movimento coletivo. “A volta do Bananada, o Vaca Amarela continuativo, outros pequenos festivais…isso mostra que as condições estão melhores e que a cena está se reorganizando”, afirmou.
Sobre a curadoria, ele reforça o papel da produção local. “A ideia sempre foi fomentar, valorizar e divulgar a cena local”, disse. Segundo o produtor, o equilíbrio é central. “A gente não pode fazer um festival só com bandas goianas, nem só com bandas de fora. A gente sempre tenta equilibrar”, completou.
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