Silencioso e frequente, câncer de intestino pode ser evitado com exames, alerta especialista
O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, segue entre os mais incidentes no Brasil e tem na detecção precoce a principal chance de prevenção. Esse é o foco da campanha Março Azul 2026, que neste ano adota o tema “Jornada da Vida” para reforçar a importância dos exames de rotina, especialmente entre homens e mulheres de 45 a 70 anos.
A mobilização é promovida pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), pela Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG). A proposta é chamar atenção para uma doença que atinge mais de 50 mil pessoas por ano no país e que, na fase inicial, costuma não apresentar sintomas.
Ao Jornal Opção, o médico cirurgião do aparelho digestivo e endoscopista Sandro Batista de Andrade Júnior afirmou que o Março Azul tem papel importante justamente por tratar de um tumor frequente e, ao mesmo tempo, evitável. “Hoje o câncer colorretal é o câncer maligno mais prevalente em homens e mulheres quando você exclui câncer de próstata e câncer de mama. Essa campanha é justamente para conscientizar as pessoas sobre um câncer muito prevalente e que tem possibilidade de prevenção”, disse.
Segundo o especialista, a principal ferramenta para esse rastreamento é a colonoscopia a partir dos 45 anos, faixa etária adotada após a redução da idade antes recomendada, que era de 50 anos. O exame permite encontrar e retirar pólipos, lesões pré-cancerígenas que podem evoluir para o tumor.
“Nessa colonoscopia de rastreio são encontradas lesões pré-cancerígenas, que são os pólipos, que podem ser retirados na própria colonoscopia. São esses pólipos que vão evoluir para o câncer. Uma vez que você retira, você tira a possibilidade desse paciente ter câncer mais à frente”, explicou.
Ele ressalta que a colonoscopia não precisa ser feita anualmente em todos os casos. Quando não há achados, o intervalo para repetição costuma variar de cinco a dez anos. Se houver alterações, o prazo passa a depender do resultado encontrado.
Sintomas costumam aparecer mais tarde
A campanha chama atenção justamente para o caráter silencioso da doença em seu estágio inicial. Quando os sintomas aparecem, o quadro pode já estar mais avançado. Entre os sinais de alerta estão sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal frequente, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem causa aparente, fraqueza e anemia.
Para Sandro Batista, dois sintomas merecem atenção imediata: sangramento nas fezes e mudança prolongada no funcionamento intestinal. “Principalmente sangramento nas fezes, que tem que ser investigado por um médico, e também alterações do hábito intestinal. O paciente fica muito tempo sem ir ao banheiro, constipado. Isso também é muito importante ter essa atenção”, afirmou.
Além da colonoscopia, a campanha também difunde o uso do teste FIT, exame que detecta sangue oculto nas fezes. Apesar disso, o médico destaca que a colonoscopia segue como principal método de rastreio nos protocolos mais adotados internacionalmente.
Além da idade, o câncer colorretal está relacionado a fatores como tabagismo, obesidade, histórico familiar e algumas síndromes genéticas. Por isso, a prevenção não depende só do exame, mas também de mudanças no estilo de vida. “Os hábitos de vida saudável são os principais fatores de prevenção. Combater o tabagismo, manter uma dieta rica em fibras e evitar a obesidade são medidas importantes”, disse o especialista.
Ele acrescenta que a alta frequência de pólipos nas colonoscopias reforça a necessidade do rastreamento. “Nas colonoscopias feitas a partir dos 45 anos, cerca de 30% dos pacientes vão ter pólipos”, completou.
Segundo a última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA), o Brasil pode registrar 53.810 novos casos da doença no Brasil por ano entre 2026 e 2028.
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