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Feminicídio: o crime que o Brasil aprendeu a ignorar

“Mais um feminicídio” ou “Você viu que mataram mais uma mulher hoje?”. Frases como essas podem ser ouvidas durante um café da manhã despretensioso na padaria, logo após o noticiário das 6h informar a morte de mais uma mulher. Por alguns minutos, o caso causa indignação, gera comentários e revolta. Mas depois finalizamos nosso cafézinho e seguimos a vida como se aquilo já não nos causasse espanto ou comoção. No dia seguinte, porém, outro crime ocupa o lugar, e a vítima anterior se torna apenas mais um número.

Esse ciclo revela algo preocupante: a banalização do feminicídio. Quando um crime tão brutal passa a fazer parte da rotina informativa de um país, algo está profundamente errado. A repetição constante desses casos cria uma espécie de anestesia coletiva. As pessoas continuam se chocando, mas já não se surpreendem. Aquilo que deveria provocar mobilização permanente acaba se dissolvendo no fluxo rápido das notícias.

Dados recentes divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelam que 1.568 mulheres foram assassinadas em 2025 simplesmente por serem mulheres. Desde 2015, cerca de 13.703 brasileiras tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio. No cenário global, um levantamento do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) aponta que a cada 10 minutos uma mulher ou menina é morta pelo parceiro ou por um familiar. O ano mal começou e, em Goiás, mais de 20 mulheres já foram assassinadas por homens.

Se esses números não lhe causam espanto, sinto muito em lhe dizer: talvez você já tenha perdido parte da sua humanidade. Nada justifica um homem ceifar a vida de uma mulher. Nada. Nenhum argumento, nenhuma explicação ou tentativa de relativizar a violência será capaz de tornar aceitável um crime que nasce do ódio, da posse e da brutalidade.

Mas o feminicídio não é apenas um número em relatórios ou estatísticas divulgadas anualmente. Por trás de cada dado existe uma mulher que tinha uma história, uma rotina, sonhos, planos e relações. No entanto, muitas vezes essas mulheres só se tornam visíveis no momento da morte. Antes disso, seus medos, denúncias e pedidos de ajuda passam despercebidos ou são minimizados. A invisibilidade que acompanha tantas mulheres em vida também se repete depois da morte, quando suas trajetórias são reduzidas a poucas linhas em uma notícia policial.

Essa invisibilidade não começa apenas após a morte. Em muitos casos, ela acompanha essas mulheres durante todo o ciclo de violência. Muitas já haviam denunciado agressões, relatado ameaças ou pedido ajuda. Ainda assim, seus alertas não foram suficientes para impedir o pior. E, além de serem mortas de forma brutal, muitas vezes ainda são acusadas de terem provocado a própria morte. “Ah, mas alguma coisa ela fez”, “Ela deve ter pedido para morrer, olha o tipo de mulher”… Infelizmente, esse tipo de comentário ainda é comum.

O que me intriga é que, mesmo diante de toda essa epidemia de feminicídio, muitas autoridades ainda parecem fechar os olhos para o problema. Mas de que adianta recorrer as “forças maiores” se parte delas também é composta por homens que insistem em menosprezar e descredibilizar as mulheres?

Muitas vezes, são eles que pensam e formulam leis que supostamente nos protegem. Mas como esperar sensibilidade de quem nunca viveu essa realidade? É como um sapateiro querendo ensinar uma costureira a costurar: fala com autoridade sobre algo que não conhece. Esses homens não sabem o que é sair de casa com medo, ajustar rotas, evitar certas situações ou simplesmente temer morrer por dizer “não”.

Sim, é verdade que no Brasil possui instrumentos legais importantes para enfrentar esse problema, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio. No entanto, a existência de leis não impede, por si só, que mulheres continuem morrendo. Quando o Estado falha em oferecer proteção efetiva, quando denúncias não recebem a atenção necessária ou quando medidas protetivas não são devidamente fiscalizadas, o ciclo da violência continua.

Mas a banalização do feminicídio não é apenas institucional. Ela também é social. Quando a sociedade passa a tratar esses crimes como acontecimentos inevitáveis, quando perguntas como “o que ela fez?” ou “por que não saiu antes?” ainda aparecem, reforça-se a ideia de que a violência contra mulheres é parte natural da vida.

E não é. Porque nenhuma sociedade pode se considerar civilizada enquanto mulheres continuam sendo mortas simplesmente por existirem.

Leia também: Entre homenagens e estatísticas, ainda falta respeito às mulheres

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