Acadêmicos de Niterói é rebaixada após enredo homenageando Lula
A Acadêmicos de Niterói terminou em último lugar na apuração do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro e foi rebaixada na quarta-feira, 18. Estreante na elite das escolas de samba, a agremiação recebeu apenas duas notas 10 ao longo da leitura dos quesitos.
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola apresentou, no desfile de domingo, 15, uma narrativa sobre a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A proposta percorreu a infância no Nordeste, a migração para São Paulo, o trabalho como torneiro mecânico, a atuação sindical e a chegada à Presidência da República.
Na comissão de frente, a escola levou à Marquês de Sapucaí uma encenação da rampa do Palácio do Planalto, em referência à última posse presidencial. A apresentação incluiu representações de figuras públicas como o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.
O carro abre-alas retratou o agreste pernambucano, região de origem de Lula, com alegorias que misturavam referências à escassez e à resistência. Em outro momento do desfile, a escola apresentou críticas a políticas do governo Bolsonaro, incluindo a condução da pandemia de Covid-19, além de uma alusão à prisão do ex-presidente petista.
A escola enfrentou dificuldades na dispersão, com alegorias que ficaram presas na saída da avenida após o término do desfile. O encerramento foi marcado por correria, e parte da estrutura permaneceu no local mesmo depois do fim da apresentação. A Imperatriz Leopoldinense, que desfilou na sequência, afirmou ter sido prejudicada pelo incidente.
Críticas legais
Antes do desfile, o enredo foi alvo de ao menos dez ações judiciais e representações apresentadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União (TCU). As iniciativas pediam a suspensão de repasses públicos e a proibição da apresentação, sob o argumento de que o conteúdo configuraria propaganda eleitoral antecipada, permitida apenas após 16 de agosto, conforme a legislação.
Também houve tentativas de impedir eventual presença do presidente na avenida e de barrar manifestações consideradas ofensivas a adversários políticos.
O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral, que, por unanimidade, negou liminar para impedir o desfile. Os ministros entenderam que a medida poderia caracterizar censura prévia, mas ressaltaram que eventuais irregularidades poderiam ser analisadas posteriormente.
Após a decisão, o Partido dos Trabalhadores orientou filiados a evitarem atos que pudessem ser interpretados como campanha antecipada. O governo federal negou qualquer irregularidade, afirmou não ter participado da escolha do enredo e sustentou que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente.
Depois da apresentação, Lula elogiou o desfile nas redes sociais. Parlamentares da oposição reagiram com críticas e anunciaram novas medidas judiciais. Integrantes da bancada evangélica também contestaram a ala “Neoconservadores em conserva”, que trazia representações de famílias dentro de latas, algumas com adereços religiosos.
Na segunda-feira, 16, a Acadêmicos de Niterói divulgou nota pública afirmando ter sofrido perseguições durante a preparação para o carnaval em razão do tema escolhido.
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