Macron critica liberdade de expressão das big techs e chama argumento de “pura besteira”
O presidente da França, Emmanuel Macron, rebateu a defesa de “liberdade de expressão” feita por gigantes da tecnologia e classificou o argumento como “pura besteira”. A declaração ocorre em meio ao embate entre Europa e Estados Unidos sobre a regulação das plataformas digitais e o papel das big techs no controle de conteúdo online.
Durante agenda em Nova Délhi, nesta quarta-feira, 18, Macron questionou a falta de transparência dos algoritmos usados por redes sociais como Instagram, Facebook, X, TikTok e YouTube.
“Não ter a menor ideia de como o algoritmo é feito, como é testado, treinado e para onde ele vai te direcionar, as consequências democráticas desse viés podem ser enormes”, afirmou o presidente francês.
Ao comentar a postura das plataformas, Macron disse que a liberdade de expressão só é válida quando há clareza sobre como os conteúdos são distribuídos. “Alguns deles afirmam ser a favor da liberdade de expressão, OK, nós somos a favor de algoritmos livres, totalmente transparentes”, declarou.
“Liberdade de expressão é pura besteira se ninguém sabe como você é conduzido a essa suposta liberdade de expressão, especialmente quando é guiado de um discurso de ódio a outro.”
A fala acontece em um momento em que países europeus, como Reino Unido e Alemanha, discutem medidas mais rígidas contra redes sociais, incluindo a possibilidade de proibir o acesso de menores de idade às plataformas.
Reguladores argumentam que os serviços são viciantes e prejudiciais à saúde mental. As possíveis restrições na União Europeia podem impactar receitas publicitárias de empresas como Meta (dona de Instagram e Facebook), Snap, X (controlada por Elon Musk), TikTok e YouTube, do Google.
O governo dos Estados Unidos, sob liderança de Donald Trump, tem criticado esse tipo de iniciativa. Washington afirma que proibições e regras mais rígidas configuram censura e violam a liberdade de expressão.
Recentemente, os EUA impuseram restrições de visto a um ex-funcionário europeu e a ativistas envolvidos em propostas de controle de discurso de ódio online. O secretário de Estado, Marco Rubio, justificou as medidas como reação ao que chamou de “complexo industrial global da censura”.
Trump, JD Vance e o embate com a Europa sobre liberdade de expressão
Na estratégia de segurança nacional dos EUA, o governo Trump afirma que reagirá a tentativas de potências estrangeiras de “censurar nosso discurso”. O documento também menciona o incentivo à “resistência à trajetória atual da Europa dentro das próprias nações europeias”, movimento interpretado por analistas como apoio indireto a partidos de extrema direita no continente.
O vice-presidente JD Vance, durante a Conferência de Segurança de Munique no ano passado, acusou a União Europeia de suprimir a liberdade de expressão. Ele declarou que o abandono dos valores fundamentais europeus representaria ameaça maior ao continente do que Rússia ou China, além de criticar a moderação de conteúdo nas redes sociais.
Autoridades europeias demonstram preocupação de que os Estados Unidos estejam utilizando o discurso da liberdade de expressão como instrumento de pressão para que o bloco flexibilize a regulação das plataformas digitais.
Macron participa de uma cúpula sobre inteligência artificial em Nova Délhi, onde defende um modelo de IA multilíngue e regulado. A proposta francesa se diferencia tanto da abordagem mais orientada pelo mercado dos Estados Unidos quanto do modelo estatal liderado pela China.
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