Добавить новость
World News in Portuguese


Новости сегодня

Новости от TheMoneytizer

Ben-Hur, o leiteiro e o menino sonhador

Fernando Cupertino

Especial para o Jornal Opção

Ao amigo Antônio Celso Ramos Jubé

Na velha cidade havia leiteiros que, em seus burricos ou mulas, entregavam o leite no domicílio dos fregueses, todos os dias, salvo aos domingos. Para isso, dispunham as garrafas de vidro, com capacidade para um litro de leite, em um engenhoso alforje de tecido bem forte, costurado de modo a se converter em uma espécie de ninho onde se acomodavam todos, sobre os arreios, sem risco de se quebrar nenhum deles.

Ao se acercarem das casas, gritavam “leiteiro!”, ou ainda “óia o leite!” e logo vinha algum morador com a vasilha para receber o desejado alimento.

Esse fornecimento tinha ares de coisa muito séria, pois era preciso evitar os espertinhos que costumavam “batizar” o leite com alguma quantidade de água, sobretudo na época da seca, quando a produção das vacas minguava bastante. Assim fazendo, procuravam manter o volume diário de entrega, evitando queda na receita.

Mas, como o malfeito não tem por costume perdurar indefinidamente, logo perdiam fregueses, no que buscavam compensação baixando o preço cobrado pelo litro do produto. Dessa forma, muitas vezes os mais pobres eram obrigados a se render à situação, conformando-se em beber o leite aguado.

Entretanto, havia também fornecedores que faziam a entrega em grandes galões de metal, transportados numa carroça equipada por uma buzina infernalmente estridente. Era uma espécie de corneta, acionada manualmente por uma pera de borracha que, comprimida, emitia um som horroroso e desagradável. Porém, cumpria bem o papel de arauto, evitando assim que o leiteiro tivesse que apregoar, de viva voz e de porta em porta, a chegada do seu produto.

Um belo dia, uma dessas carroças de leiteiro descia, com grande atraso, o Largo da Matriz, lá pelas duas da tarde. Em lugar da costumeira entrega no final da manhã, naquele dia o animal de tração adoecera e, para mal dos pecados, uma das rodas da carroça havia emperrado. Por isso mesmo, a entrega só pôde começar bem depois do meio-dia.

Detendo o veículo à porta de uma velha senhora já meio surda, o condutor acionou a buzina uma, duas, três vezes e nada…

— A velha está cada dia mais surda, ou então tá lá pros fundos do quintal — disse para si mesmo o leiteiro, engolindo um palavrão que quase lhe escapa. — O jeito vai ser levar o leite lá dentro. E assim fez. Tomou da caneca de metal, com capacidade para 1 litro, mergulhou-a no grande galão e lá foi para a entrega.

Ao ouvir o tradicional “ô de casa!”, a dona acudiu à porta, mandou entrar a encomenda; ajeitou a vasilha para receber o leite e ofereceu um café para o leiteiro, velho conhecido.

Enquanto isso, na casa vizinha, um moleque acabara de assistir pela televisão o filme “Ben-Hur”, estrelado pelo imortal Charlton Heston, e estava ainda sob o forte impacto das cenas finais, onde há uma desenfreada corrida de bigas.

Ao ouvir a buzina insistente do leiteiro, correu à porta e deparou com aquele veículo que, a seus olhos de menino de mente sonhadora, apresentava-se não como uma carroça puxada por um velho e sonolento pangaré, mas sim como uma biga romana dotada de um lindo corcel negro, tal como no filme que acabara de ver. Não pensou duas vezes: saltou para cima da biga, digo, da carroça, e fustigando o pobre animal de maneira ensandecida, desceu em desabalada carreira até o Largo da Matriz, gritando, sem parar: — Ben-Hur!!! Ben-Hur!!!

Sacolejando nas pedras irregulares pelo fim do Largo do Chafariz e pela Rua da Fundição afora, a aventura terminou de chofre logo à entrada do Largo da Matriz, quando o veículo, tal como na película, espatifou-se contra o cajazeiro que ali existia, espalhando leite e pedaços da carroça por toda parte.

Felizmente, nenhum dos animais se machucou. Nem o bípede, de miolo mole, nem o pobre cavalo que, se pensasse, teria requerido ali mesmo sua aposentadoria.

Do episódio, duas coisas restaram: de um lado, as despesas que o pai do herói foi obrigado a fazer para indenizar os prejuízos; de outro, nádegas doloridas, que tiveram que ser tratadas com banho em salmoura e compressas de arnica durante um bom par de dias…

Fernando Cupertino, médico, compositor e escritor, é colaborador do Jornal Opção.

O post Ben-Hur, o leiteiro e o menino sonhador apareceu primeiro em Jornal Opção.

Читайте на сайте


Smi24.net — ежеминутные новости с ежедневным архивом. Только у нас — все главные новости дня без политической цензуры. Абсолютно все точки зрения, трезвая аналитика, цивилизованные споры и обсуждения без взаимных обвинений и оскорблений. Помните, что не у всех точка зрения совпадает с Вашей. Уважайте мнение других, даже если Вы отстаиваете свой взгляд и свою позицию. Мы не навязываем Вам своё видение, мы даём Вам срез событий дня без цензуры и без купюр. Новости, какие они есть —онлайн с поминутным архивом по всем городам и регионам России, Украины, Белоруссии и Абхазии. Smi24.net — живые новости в живом эфире! Быстрый поиск от Smi24.net — это не только возможность первым узнать, но и преимущество сообщить срочные новости мгновенно на любом языке мира и быть услышанным тут же. В любую минуту Вы можете добавить свою новость - здесь.




Новости от наших партнёров в Вашем городе

Ria.city
Музыкальные новости
Новости России
Экология в России и мире
Спорт в России и мире
Moscow.media










Топ новостей на этот час

Rss.plus