Escritor aponta “coincidências estranhas” entre obra rejeitada e livro anunciado pela Rocco
O escritor Edson Aran levantou questionamentos públicos sobre o processo editorial envolvendo a Editora Rocco após identificar semelhanças temáticas entre um livro de sua autoria, recusado pela casa editorial, e uma obra posteriormente anunciada do escritor Pedro Bandeira. Aran afirma não se tratar de acusação de plágio, mas de uma sequência de fatos que, segundo ele, merece esclarecimento.
Em entrevista ao Jornal Opção, o autor relatou que enviou o original de Quincas Borba e o Nosferatu à Rocco no fim de 2023, quando a obra ainda tinha o título provisório Quincas Borba versus Drácula. O material incluía o texto completo e a sinopse. Após meses sem resposta, a editora informou, em janeiro de 2024, que não tinha interesse na publicação. O livro acabou sendo lançado em julho do mesmo ano pela Fari Silva, selo da Autobooks.
Quatro meses depois, segundo Aran, a Rocco anunciou o lançamento de um novo livro de Pedro Bandeira com uma proposta narrativa semelhante: uma investigação inspirada no universo sherlockiano aplicada a personagens clássicos da literatura brasileira, em especial a suspeita de adultério envolvendo Capitu, de Dom Casmurro. “Não posso falar em plágio, porque o livro sequer foi publicado ainda. O que existe são coincidências que considero estranhas, especialmente porque passam pela mesma editora”, afirmou.
O escritor afirma que o uso de Sherlock Holmes em narrativas ambientadas no Brasil não é inédito, já explorado por autores como Jô Soares, mas argumenta que o ponto de partida específico de uma investigação sobre Capitu é central em sua obra. Em Quincas Borba e o Nosferatu, Quincas Borba assume o papel de detetive, com Brás Cubas como narrador, em uma trama que mistura personagens de Machado de Assis com figuras da literatura do século XIX.
Aran, que tem 11 livros publicados, diz nunca ter enfrentado situação semelhante em sua trajetória literária. Para ele, mesmo quando uma editora rejeita um original, haveria uma obrigação ética de cautela caso receba posteriormente uma proposta muito próxima em conceito. “Na melhor das hipóteses, é uma coincidência. Na pior, alguém viu uma boa ideia e resolveu encomendar algo parecido a outro autor”, disse.
O autor afirma não temer retaliações no mercado editorial, que classifica como “árido” mesmo para escritores experientes. Segundo ele, a controvérsia reforça a necessidade de discutir ética editorial e também abre espaço para a autopublicação como alternativa. “Talvez publicar de forma independente seja o caminho, sobretudo quando grandes editoras não oferecem divulgação ou retorno compatível”, concluiu.
O Jornal Opção entrou em contato com a editora Rocco mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações.
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