Novos documentos divulgados revelam que Epstein elogiou Bolsonaro em conversas com Steve Bannon
Trocas de e-mails atribuídas a Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado nos Estados Unidos e morto em 2019, e ao estrategista político Steve Bannon, revelam elogios ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a campanha presidencial de 2018. As mensagens constam em documentos divulgados na última sexta-feira, 30, pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no âmbito do caso Epstein.
Em um dos e-mails, datado de 8 de outubro de 2018, Epstein afirma que “Bolsonaro mudou o jogo”, elogiando a postura do então candidato em temas como imigração e autonomia política, além de mencionar a necessidade de retomada da economia.
Naquele momento, Bolsonaro havia ido ao segundo turno da eleição presidencial contra Fernando Haddad, após obter 46% dos votos válidos no primeiro turno. Ele acabaria eleito presidente semanas depois.
Em resposta às mensagens, Bannon afirmou ser próximo do grupo de Bolsonaro e questionou se deveria atuar como conselheiro. Epstein respondeu comparando a situação a uma escolha estratégica difícil, em referência ao impacto político da decisão. Na época, Bannon declarou publicamente apoio a Bolsonaro, embora tenha negado participação formal na campanha.
Em entrevista concedida à BBC News Brasil em 2018, o ex-estrategista de Donald Trump classificou Bolsonaro como “líder”, “brilhante” e “muito parecido com Trump”, mas afirmou não integrar a equipe de campanha.
As mensagens também indicam discussões sobre uma possível ida de Bannon ao Brasil para apoiar Bolsonaro. Epstein chegou a sugerir que a presença do estrategista poderia fortalecer sua imagem pública, caso a vitória do então candidato fosse confirmada.
Lula também é citado
Os documentos também fazem referência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em diálogos envolvendo o filósofo Noam Chomsky. Em uma das mensagens, Epstein afirma que Chomsky teria ligado da prisão ao lado de Lula, informação negada posteriormente tanto pela esposa do filósofo quanto pelo Palácio do Planalto.
Em outro trecho, Epstein orienta Bannon a evitar comentar Bolsonaro em encontros com Chomsky, citando a proximidade do casal com Lula e alertando para o contexto político da conversa.
Segundo os documentos, Epstein mantinha relação próxima com Chomsky, a quem teria auxiliado financeiramente e oferecido hospedagem em propriedades suas. As mensagens sugerem que Epstein atuava como intermediário em contatos entre figuras influentes da política e da academia.
Procurados à época por veículos de imprensa, Jair Bolsonaro negou qualquer vínculo com Bannon. Já Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente, chegou a afirmar que o estrategista estaria à disposição da família, o que gerou questionamentos públicos e reações do então candidato.
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