Tão longa é a arte, tão breve foi a vida de Elis Regina
Minha mãe é fã da Elis Regina. Tão fã que ela pediu para que tocassem no seu casamento a música “Fascinação”, que fazia parte do repertório da Elis. Meus pais me deixaram muitos tesouros, dentre esses o amor pela História e pela música. Na celebração do Matrimônio deles, uma música da Elis Regina. Dá até para imaginar os dois na Igreja de Santo Antônio, em Marília (SP), ouvindo essa música. Haja coração!
Eu nunca me esqueço do dia que vi minha mãe sentada perto do toca disco ouvindo um LP da Elis. Ela ouvindo aquela bela voz e se emocionando. Cheguei perto dela e perguntei o porquê das lágrimas. Foi aí que ela me mostrou que a música tem esse poder de tocar o coração. O LP que minha mãe estava ouvindo tinha essa capa, que ilustra esse texto. Eu era pequeno para entender, mas minha mãe lançava em mim a semente da admiração por aquela cantora tão fascinante.
Com o passar do tempo, fui conhecendo mais sobre Elis Regina. Ela viveu tão pouco, mas o suficiente para marcar seu nome na história da nossa música. Elis era gaúcha de Porto Alegre e desde pequena já mostrava seu dom musical cantando na Rádio Gaúcha. Logo ela viajou para o Rio de Janeiro e em 1961 gravou seu primeiro disco Viva a Brotolândia, produzido por Carlos Imperial. Elis foi conquistando seu espaço na música e, em 1964, se apresentou na boate Bottle’s, no Beco das Garrafas, em Copacabana. Ali, ela conheceu Ronaldo Boscoli e Luis Carlos Mieli, dois produtores musicais que se tornaram os produtores dos seus shows. Com Boscoli, Elis se casou e teve seu primeiro filho.
Na época dos festivais de música da TV Record, lá estava Elis Regina cantando “Arrastão”. Com os braços em movimento, ela parecia girar no palco, como uma hélice. Logo, deram o apelido de Hélice Regina. Mas, nada se compara ao Pimentinha, apelido que representava muito bem sua personalidade. A jornalista Regina Echeverria sintetizou a vida dela ao dar o título da sua biografia: “Furacão Elis”.
Os anos 1970 foram os da consagracão. Elis ganhou um programa na TV Globo, se apresentava pelo país afora, dividiu um disco com Tom Jobim. Todo mundo queria ouvi-la ao vivo e a cores. Pena que tudo foi tão rápido. No dia 19 de janeiro de 1982, o Brasil foi pego de surpresa com a notícia de sua morte. Tão nova, com apenas 36 anos.
Já diziam os antigos: “tão longa é a arte, tão breve é a vida”. Tão longa e tão bela é a arte de Elis Regina. Até hoje quando minha mãe a ouve cantar, ela se emociona. E não tem um 19 de janeiro que ela não se lembre da Pimentinha.
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