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Como Goiás se tornou referência no tratamento de gêmeos siameses e as histórias que nasceram dessas cirurgias

Giovanna Campos e Tathyane Melo

Raros, complexos e cercados de incertezas desde o diagnóstico. Os gêmeos siameses — condição que ocorre em cerca de um a cada 150 mil nascidos vivos — representam um dos maiores desafios da medicina moderna. Em Goiás, porém, essa realidade ganhou contornos próprios. Ao longo das últimas décadas, o estado se consolidou como um dos principais polos brasileiros no tratamento e na separação cirúrgica desses casos, reunindo estrutura hospitalar, equipes multidisciplinares e uma trajetória marcada por histórias que atravessam gerações.

No centro dessa história está o cirurgião pediátrico Zacharias Calil, referência nacional e internacional no tema. Ao longo de sua carreira, ele acompanhou 47 casos de gêmeos siameses e realizou 27 cirurgias de separação, sendo cinco delas em Goiás. Nem todos os casos chegam à mesa cirúrgica — e poucos sobrevivem tempo suficiente para isso.

“A maioria morre nas primeiras horas de vida”, explica o médico em entrevista ao Jornal Opção. “Dos que sobrevivem, apenas cerca de 1% chega à idade ideal para uma possível separação. Por isso é uma condição extremamente rara dentro de outra condição já rara.”

O que são gêmeos siameses e por que a separação nem sempre é possível

Os gêmeos siameses surgem quando, ainda no início da gestação, a divisão do embrião não se completa. Não há causa conhecida, nem relação comprovada com álcool, medicamentos ou comportamentos maternos. “Qualquer pessoa pode ter uma gestação assim. Não existe fator de risco definido”, afirma Calil.

Zacharias alerta: é extremamente necessário que uma mulher grávida faça o pré-natal, visto que, em caso de má formação, o diagnóstico precoce é esse essencial. “A má formação deve ser identificada no pré-natal para evitar surpresas. Se o obstetra vai fazer um parto desses sem a informação, diminui a sobrevida. Com o pré-natal, o parto será encaminhado para uma equipe mais complexa e multidisciplinar.”

Cada caso é único. Alguns gêmeos compartilham apenas pele e estruturas superficiais; outros dividem órgãos vitais, como fígado, intestino, coração ou sistema nervoso. É esse grau de compartilhamento que determina se a separação é possível — e se ela representa mais chance de vida ou mais risco.

“O que define tudo é a anatomia. Não existe protocolo padrão”, diz o cirurgião.

Tem paciente que conseguimos separar e hoje é mãe. Outros, infelizmente, não resistem

Diagnóstico precoce e acompanhamento rigoroso

Atualmente, a maioria dos casos é diagnosticada ainda durante a gestação, por meio de ultrassonografia morfológica e, posteriormente, ressonância magnética. A partir daí, inicia-se um acompanhamento intenso e contínuo.

“A gestante passa a ser acompanhada mensalmente, depois semanalmente. É um processo longo, que envolve obstetras, cirurgiões, neonatologistas, enfermeiros, psicólogos”, explica Calil. “Nada é feito às pressas.”

Em Goiás, parte desse acompanhamento e das cirurgias ocorre no Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), que, desde sua inauguração, já atendeu quatro casos de gêmeos siameses, com três cirurgias de separação, duas delas apenas no último ano. O hospital recebe pacientes regulados pelo SUS, tanto do próprio estado quanto de outras regiões do país.

Crescer depois da separação: a vida que continua

Para quem sobrevive, a separação não é o fim da história — é apenas o começo de outra. Raniela Rocha, hoje com 23 anos, foi uma das gêmeas separadas por Zacharias Calil. Ela e a irmã, Rafaela, cresceram sem complicações graves, levando uma vida considerada normal.

“Eu sempre soube que tinha cicatrizes, mas não imaginava que aquilo fosse algo tão raro”, conta Raniela. “Só entendi mesmo quando minha mãe me mostrou uma reportagem antiga. Eu tinha sete anos.”

O encontro com o médico aconteceu muitos anos depois, em 2019.

Ele ficou emocionado ao nos ver adultas. Perguntou se minhas cicatrizes me incomodavam. Eu disse que não, porque elas fazem parte da minha história. Representam um milagre

Hoje, Raniela e Rafaela não precisam de acompanhamento médico especial. “Somos saudáveis. E temos aquela conexão de irmãos: só de olhar, a gente sabe se a outra está bem.”

Raniela Rocha | Foto: Arquivo

O primeiro caso: quando tudo ainda era desconhecido

A trajetória de Goiás como referência começou em 1999, com a primeira separação de gêmeos siameses do Centro-Oeste brasileiro. Larissa e Lorraine Gonçalves nasceram unidas pelo abdômen e pela bacia, compartilhando órgãos vitais. A cirurgia foi realizada no Hospital Materno Infantil, em Goiânia, e marcou o início da especialização de Zacharias Calil na área.

“Na época, quase não havia literatura médica. Tivemos que estudar tudo do zero”, lembra o cirurgião. Foram oito meses de preparação, uma equipe de 58 profissionais, mais de dez horas de cirurgia e 17 dias de UTI no pós-operatório.

As meninas sobreviveram, cresceram e voltaram para Santo Antônio de Goiás, onde foram criadas pela tia Luciana Gonçalves, que assumiu os cuidados desde o nascimento. Lorraine faleceu em 2007, aos oito anos, em decorrência de complicações respiratórias. Larissa, hoje adulta, leva uma vida ativa, estuda, tem amigos e sonha cursar medicina — inspirada pelo próprio médico que a separou.

“Ele sempre manteve contato. Mandava brinquedos, livros, perguntava da escola”, conta Larissa em reportagem do Jornal Opção. “Criamos um vínculo.”

Zacharias, Larissa e Lorraine Gonçalves | Foto: Reprodução

Desde o nascimento das irmãs siamesas, foi Luciana (irmã da mãe biológica das gêmeas) quem assumiu a responsabilidade pelas garotas. “A mãe biológica entrou em depressão após o nascimento de Lorraine e Larissa e não quis cuidar das meninas”, diz Luciana.

“Fui ao hospital visitar as recém-nascidas e o médico me falou que alguém da família tinha de cuidar delas, pois seriam transferidas da UTI. Quando fui falar isso para a mãe delas, ela já me disse que não tinha estrutura para cuidar delas, que não iria cuidar. Aí eu fui. A gente vai pegando amor. Com um mês e oito dias, trouxe elas para a minha casa”, diz Luciana Gonçalves.

Entre a ciência e o afeto

Esse vínculo não é exceção. Segundo Calil, ele mantém contato com a maioria dos pacientes. “Eles mandam mensagens no aniversário da separação, mostram boletim da escola, contam como estão. Não é só cirurgia. É uma relação para a vida toda.”

As histórias de Raniela, Rafaela, Larissa e Lorraine mostram que, embora a medicina seja fundamental, o cuidado com gêmeos siameses vai além da técnica. Envolve família, suporte psicológico, políticas públicas de saúde e, sobretudo, tempo.

Casa do Interior

A Casa do Interior de Goiás (Cigo) é uma unidade do Governo do Estado, mantida pelo Goiás Social e pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG). O local, que conta com 120 leitos e já realizou quase 23 mil atendimentos desde 2019, oferece hospedagem, alimentação e suporte integral para pacientes do interior goiano e de outras regiões do país que vêm a Goiânia para tratamentos médicos, tudo sem custo.

A unidade já recebeu 13 casos de siameses e, atualmente, acolhe três casos simultaneamente: Laura e Lais, de cinco anos; Kiraz e Aruna, de 1 ano e 10 meses, e Nathaly e Rhadassa, que nasceram no último dia 13 de fevereiro.

Além da hospedagem, os beneficiados recebem assistência social, psicológica, nutricional e enfermagem, além de participarem de atividades socioeducativas que promovem bem-estar e fortalecimento emocional.

Liliane Silva dos Santos, com as filhas Laura e Laís, de 5 anos: “OVG nos deu todo o apoio”, diz a mãe | Foto: Diego Canedo

Um estado preparado para o improvável

Goiás não registra grande número de casos, mas concentra conhecimento. Nos últimos anos, o Hecad atendeu quatro casos; outros nasceram antes da inauguração da unidade ou em hospitais diferentes. Não há dados consolidados que indiquem aumento ou redução da incidência — até porque muitos casos não sobrevivem tempo suficiente para entrar nas estatísticas.

O que existe, de forma inequívoca, é uma rede capaz de acolher o improvável.

Separar gêmeos siameses não é apenas dividir corpos. É oferecer a possibilidade de individualidade, de futuro, de escolhas. Em Goiás, essa possibilidade deixou de ser exceção absoluta e passou a ser, também, uma história construída — uma cirurgia de cada vez, uma vida de cada vez.

Leia também: Primeira siamesa separada em Goiás quer seguir passos de seu cirurgião

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