Em 17 anos de cotas, UFG registra 16 mil ingressantes e quase 3 mil formados
Em prol do combate às desigualdades educacionais no Brasil, foi instituído há 17 anos políticas de inclusão nas universidades federais. No caso da Universidade Federal de Goiás (UFG) a garantia do acesso e permanência começou a ser efetivada em 2008, por meio do programa de Ações Afirmativas UFGInclui.
Os estudantes indígenas e quilombolas foram os primeiros a serem cotistas. Segundo dados do sistema Analisa UFG (2025), quase 16 mil estudantes entraram na instituição pelo sistema de cotas. Deste total, 2.949 já se formaram. Em 2025, passou também a incluir pessoas trans, travestis e transexuais. Dados gerais da UFG mostram que 59% dos estudantes são de escolas públicas. Nesse perfil acadêmico, estudantes negros são 8.793 e há hoje 851 cotistas. Sendo 478 estudantes indígenas, 241 quilombolas e 132 trans.
A nova reitora da instituição, Sandramara Matias Chaves, foi a responsável pela criação do UFGInclui, quando era pró-reitora de Graduação. Em entrevista ao Jornal Opção, disse que o programa surgiu a partir de intensa discussão e participação dos movimentos dentro da universidade.
“Foi sendo aperfeiçoado para possibilitar a inclusão na universidade de pessoas que, historicamente, se viram aliadas da possibilidade de acesso à educação superior”, contextualiza.
Ainda segundo Sandramara, hoje o grande desafio é promover a permanência desses alunos cotistas, para isso os recursos públicos são fundamentais. Para isso, a reitora disse que vai investir muito em ações de promoção da permanência, por meio da secretaria de inclusão em articulação com a pró-reitoria de Assistência Estudantil e com a pró-reitoria de Graduação.
Vamos investir muito para que o UFG Inclui, efetivamente, promova não só a inclusão. Mas que a gente cuide por meio de diferentes ações da permanência desses estudantes para que eles consigam entrar, cursar a graduação e saírem exitosos. Isso, inclusive, com a possibilidade de chegar à pós-graduação
Desafios
Egressa do curso de Relações Públicas e do programa de pós-graduação em Antropologia Social, ambos da UFG, Marta Quintiliano afirma que um dos desafios é o mercado de trabalho. “Eu tinha a impressão de que eu já iria trabalhar na área. Mas eu percebi que não, sendo um dos motivos o racismo institucional”, afirma.
Ainda de acordo com Marta Quintiliano, os cotistas, de uma certa forma, tem a visão ampliada de como vai ser lá fora. Até porque, dentro da universidade, a gente já se desgasta tentando permanecer. “Eu fiz Relações Públicas, que já é um público mais elitizado. Eu, negra, em uma turma de 50 pessoas brancas. Todas já tinham trabalho garantido”, contextualiza.
Após formada, Marta Quintiliano chegou a atuar por quatro meses na TV UFG, mas optou por seguir carreira acadêmica. “Acho que esse é um caminho que estudantes indígenas e quilombolas podem ter, além do mercado de trabalho formal”.
União dos Estudantes Indígenas e Quilombolas
Em 2013, surgiu um coletivo chamado “União dos Estudantes Indígenas e Quilombolas”. Ele tinha o intuito de demandar e explicar para a própria UFG o que os cotistas estavam precisando e que a instituição não conseguia enxergar.
Eu, por exemplo, não tive bolsa permanência MEC. Era um direito meu, e eu não fiquei sabendo por conta de falta de informação na época
Ainda de acordo com a egressa, O UFGInclui é muito importante, pois tem melhorado a própria universidade. Como professora espera que o ensino também altere os próprios alunos como um todo: “ensinar a respeitar a diferença por meio da educação quilombola e indígena”, finaliza.
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